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O conceito original de Arquétipo

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O conceito original de Arquétipo

On outubro 21, 2022, Posted by , In Estratégias, By , With No Comments

Arquétipo é uma estratégia para humanizar marcas, baseado nos 12 arquétipos apresentados no livro “O herói e o fora da lei” de Margaret Mark e Carol S. Pearson, de 2001. O conceito original, entretanto, foi elaborado pelo psicanalista Carl Gustav Jung, que no ano de 1933 já publicava os primeiros trabalhos sobre o tema.

Os arquétipos de Margaret Mark e Carol S. Pearson são formulas prontas, um conteúdo adaptado para o branding, já o conceito original está longe de ser uma fórmula pronta:

“Nenhum arquétipo pode ser resumido a uma simples fórmula. Trata-se de um recipiente que nunca podemos esvaziar, nem encher. Ele existe em si apenas potencialmente e, quando toma forma em alguma matéria, já não é mais o que era antes. Persiste através dos milênios e sempre exige novas interpretações. Os arquétipos são os elementos inabaláveis do inconsciente, mas mudam constantemente de forma.” C. G. Jung

Conhecer o significado original de arquétipo permite aos profissionais de branding e marketing criarem personalidades de marca menos estereotipadas. Como arquétipo é um conteúdo do inconsciente, a explicação do conceito começa pela diferença entre consciente e inconsciente.

DIFERENÇA ENTRE CONSCIENTE E INCONSCIENTE

Em uma comparação simples, consciente é tudo que sabemos, inconsciente, tudo que não sabemos. Enquanto o consciente é luz, o inconsciente é sombra.

“Em que medida o homem se conhece a si mesmo? Bem pouco, como a experiência revela. Assim sendo, resta muito espaço para o inconsciente.” C. G. Jung

A consciência é facilmente influenciada pelo inconsciente. A espontaneidade do pensamento não está no consciente, mas sim no inconsciente.

DIFERENÇA ENTRE INCONSCIENTE PESSOAL E COLETIVO

O inconsciente é dividido entre inconsciente pessoal e coletivo. O inconsciente pessoal é constituído de conteúdos que já foram conscientes e, no entanto, desapareceram da consciência por terem sido esquecidos ou reprimidos. Os conteúdos do inconsciente coletivo nunca foram conscientes, devendo sua existência à hereditariedade.

O inconsciente coletivo é uma camada mais profunda do inconsciente, que não é pessoal, mas sim, universal. É constituído essencialmente de arquétipos.

ARQUÉTIPO

Arquétipos são tipos arcaicos ou primordiais, que existem desde os tempos mais remotos. Suas representações podem ser vistas nos mitos, contos de fadas e na mitologia. Platão chamava os arquétipos de imagens primordiais, formas que instintivamente pré-formavam e influenciavam o pensar, sentir e agir.

Representam o modelo mais básico do comportamento instintivo, influenciando a atividade humana, nossas fantasias, percepção e pensamentos.

“Os arquétipos não são apenas impregnações de experiências típicas, incessantemente repetidas, mas também se comportam empiricamente como forças ou tendências à repetição das mesmas experiências.” C. G. Jung

Não são imagens preenchidas de um conteúdo, mas formas sem conteúdo, que são preenchidas com material da experiência consciente, enchendo-se de significado pessoal. Não provém de fatos físicos, mas de como a alma vivencia a realidade física.

Não se trata de ideias prontas, mas de suas possibilidades.

ARQUÉTIPOS CITADOS POR JUNG

Embora no livro “O herói e o fora da lei” sejam apresentados 12 arquétipos (inocente, explorador, sábio, herói, fora-da-lei, mago, cara comum, amante, bobo da corte, prestativo, criador e governante), Jung afirma que existem tantos arquétipos quanto situações típicas na vida.

Em seus livros, Jung não faz uma lista de arquétipos, ele os cita entre textos, por isso é um conteúdo bem fragmentado. Enquanto nos arquétipos de Margaret Mark e Carol S. Pearson, só aparecem qualidades, os arquétipos de Jung, como figuras psíquicas, são bipolares, oscilando entre seu significado positivo e negativo. Alguns arquétipos citados por Yung são:

1 – ANIMA (ARQUÉTIPO DA VIDA)

Anima é o mesmo que alma, é o impulso caótico da vida. É a mãe de todos os disparates e tragédias, entretanto, pode aparecer como um anjo de luz. É volúvel, desmedida, caprichosa, descontrolada, emocional, indelicada, perversa, mentirosa, bruxa e mística. Ela intensifica, exagera, falseia e mitologiza todas as relações emocionais com a profissão e pessoas de ambos os sexos.

Para o homem antigo, aparece sobre a forma de uma bruxa ou deusa, para o medieval é a Mãe Igreja ou Rainha do Céu. Outro exemplo, é Helena de Troia.

Por ser um arquétipo do sexo oposto, para os homens é anima enquanto para as mulheres, é animus.

2 – ANIMUS

Rígido, cheio de princípios, legalista, dogmático, reformador do mundo, teórico, emaranhando-se em argumentos, polêmico e despótico.

3 – O MAGO

Remonta diretamente a figura do xamã na sociedade primitiva. É o iluminador, o professor e mestre, um psicopompo (guia das almas).

O mago tem um caráter ambíguo, élfico, tal como a figura do Merlin, que pode parecer o bem, e dependendo da manifestação, o mal. Neste último caso, o mau feiticeiro que, por egoísmo, pratica o mal pelo mal.

4 – O VELHO OU VELHO SÁBIO

Aparece nos sonhos como mago, médico, sacerdote, professor, catedrático, avô ou qualquer pessoa com autoridade. Manifesta-se sempre em situações nas quais seriam necessários intuição, compreensão, bons conselhos, tomada de decisão, planejamento etc, que, no entanto, não podem ser produzidas pela própria pessoa.

Além de sua inteligência, sabedoria e conhecimento, o velho se distingue pela posse de qualidade morais como benevolência e solicitude.

5 – A SOMBRA

Assim como a anima e o velho sábio, a sombra não aparece somente como personagens, mas também como situações típicas, lugares, meios, caminhos etc, simbolizando cada qual um tipo de transformação.

A sombra é a nossa sombra. O nosso inconsciente, do qual tentamos fugir.

6 – 2 PAIS, 2 MÃES, DUPLA DESCENDÊNCIA, SEGUNDO NASCIMENTO

A tradição de madrinha (segunda mãe), padrinho (segundo pai) e batizado (segundo nascimento) são representações deste arquétipo, assim a fantasia infantil de que seus pais não são os verdadeiros, mas pais adotivos a qual foram confiados.

7 – SIZÍGIA

Yin e yang são um exemplo claro do arquétipo da Sizíga. É o arquétipo do par divino.

“Era… Deus como o Senhor, que se prova através de sua dualidade, ser Deus tanto substância como energia, tanto amor como vontade, tanto feminino como masculino, tanto mãe como pai.” Edward Maitland

Exprime o fato de que concomitante ao masculino sempre é dado o feminino correspondente. É perfeita e sobrenatural. A sizígia masculino e feminino é a mais importante e frequente, mas pode haver outros tipos de pares (opostos).

8 – A MÃE

Possui uma variedade incalculável de aspectos: a mãe e a avó, a madrasta e a sogra, uma mulher qualquer com a qual nos relacionamos, a antepassada, a deusa, a mãe de Deus, a virgem, ou em sentido mais amplo a igreja, a universidade, a cidade ou país, o céu, a terra, a floresta, o mar e as águas quietas, a lua, ou no sentido restrito: o lugar de nascimento, o jardim, o rochedo, a gruta, a árvore, a fonte, o poço, a pia batismal, a flor (rosa e lótus), o útero, o forno, o caldeirão…

Seus atributos são o “maternal”: a mágica autoridade do feminino, a sabedoria e a elevação espiritual além da razão, o bondoso, o que cuida, o que sustenta, o que proporciona as condições de crescimento, fertilidade e alimento, o lugar da transformação mágica, do renascimento.

Positiva ou negativa, pode se apresentar como a mãe amorosa ou a mãe terrível. Suas representações negativas são: as bruxas, dragão, a serpente, a profundidade da água, a morte, o tumulo, o sarcófago…

9 – MÃE TERRA

Desempenha um papel importante no inconsciente feminino.

10 – EROS EXARCEBADO

Um arquétipo proveniente do complexo materno negativo. Gosta de relações apaixonadas.

11 – LOGOS

Uma figura paternal, que em uma luta interminável, se desvencilha do calor e da escuridão primordiais do colo materno, ou seja, da inconsciência. A inconsciência é o primeiro pecado, o próprio mal para o logos. O seu ato de criação é libertador, porém matricida.

12 – TRANSCENDÊNCIA DA VIDA

O arquétipo da transcendência da vida é visto claramente na morte ou renascimento de um Deus ou Herói e na esperança de imortalidade.

13 – ALMA ANCESTRAL

Dar nomes de ancestrais às crianças, como se pudessem transferir sua alma a elas é um exemplo deste arquétipo, assim como identificação com o Deus ou herói.

14 – HERÓI

O arquétipo do herói vem acompanhado de uma narrativa, que no marketing é chamada de “a jornada do herói”. É um símbolo do si mesmo, um processo de individualização.

O nascimento: início insignificante por um lado e nascimento misterioso e miraculoso do outro.

Paradoxo: enfrenta os maiores perigos, mas sucumbe a algo insignificante.

Seu ato principal é vencer a escuridão: a vitória da consciência sobre o inconsciente.

A epifania do herói: a pretensão exagerada torna-se convicção de que se é algo especial; ou a impossibilidade de satisfazer a pretensão é a prova da própria inferioridade, o que favorece o papel do herói sofredor (numa inflação negativa).

15 – CRIANÇA

Se ver como criança, carente de infância, estado originário e compensação através do estado infantil ainda presente são manifestações do arquétipo da criança. Não representa apenas o passado, mas também algo presente, ou o futuro em potencial.

Temas da criança são: abandono (ela não pode tornar-se sem se desligar da origem), invencibilidade, ser do começo e do fim. Representa ainda um estágio mais avançado da autorrealização.

16 – DIVINDADE CRIANÇA

O arquétipo da divindade criança vêm de um nascimento miraculoso (gênese) e adversidades da primeira infância: abandono, perigo, insignificância.

Um exemplo deste arquétipo é o menino Jesus, que permanece uma necessidade cultural, enquanto a maioria das pessoas ainda é incapaz de realizar psicologicamente a frase “a não ser que vos torneis criancinhas”.

Portadoras de luz, amplificadoras da consciência, vencem a escuridão.

17 – A MONTANHA

Representa a meta da caminhada e da ascensão, razão pela qual tem frequentemente o significado psicológico do si mesmo.

18 – TRICKSTER

É marcado pelas travessuras engraçadas ou maliciosas, habilidade de transformar-se, imprevisibilidade, canto e dança, euforia e irresponsabilidade, carnaval, diversão. São heróis negativos, que conseguiram pela estupidez aquilo que os outros não conseguiram com a maior habilidade.

Aparece também de forma ingênua, no cidadão comum desavisado, à mercê dos acasos, que perturbam seu querer e fazer. Um exemplo do arquétipo do trickster é o Saci.

Em seu lado negativo, é de baixo nível intelectual e moral. É a figura da sombra coletiva, a soma de todos os traços de caráter inferior.


Os arquétipos estão presentes em nossa vida. Podemos vê-los nas histórias, reconhecê-los em personagens de filmes e livros, nas pessoas ao nosso redor e até em nós mesmos. O poder do arquétipo reside no fato de que é intuitivo.

Existe um universo de possibilidades fora das fórmulas arquetípicas prontas. Explore.

O texto deste artigo provém de trechos do livro “Os arquétipos e o inconsciente coletivo”, de C. G. Jung.

Amanda Brasil | Designer gráfica especializada em branding, criadora da Inova G e do site componentec.com.br

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